domingo, 17 de abril de 2011

Mario Vargas Llosa e seu Elogio da Madrasta


Este ano resolvi que precisava ler mais. Então, quando estava na faculdade, na aula de ética para ser mais exata, um amigo tirou um livro da mochila e eu, enxerida, não demorei a perguntar o nome. Elogio da Madrasta, ele disse. Não me empolguei com o título e muito menos com a capa — parecia um mistura de fotografia com algum quadro renascentista. É de Mario Vargas Llosa, completou esse meu amigo. Naquele instante percebi que não era diferente de muita gente ao julgar uma obra por quem a escreve. O autor peruano e ganhador do Nobel de literatura no ano passado já estava em minha meta de leitura para 2011.



"Fazer 40 anos então, não é, tão terrível assim"

Por conta disto e apenas disto aceitei o empréstimo (tola). Disse a ele que assim que terminasse de ler que me emprestasse. Não demorou muito (é mesmo um livro bem rápido — questão de horas se você for um leitor voraz).

No mesmo dia que iniciei minha leitura percebi que Elogio da Madrasta não parecia bem um livro, mas sim um conto. Quando terminei é que procurei saber mais sobre a publicação e li que foi a novela foi escrita sob encomenda para um amigo de Llosa que coordenava uma coletânea de histórias eróticas.


A obra conta a história de Lucrécia; que apesar dos 40 anos de idade, na pele e na sensualidade não passam dos 25; de D. Rigoberto; que descobre em seu segundo casamento o prazer de viver entre as pernas de uma mulher; e, finalmente, de Fonchito, filho de 10 anos do primeiro casamento de Rigoberto que nutre uma paixão inusitada por Lucrécia, sua Madrasta, e ela, por sua vez, corresponde.

Com um quê de erotismo, aliás, um quê bem grande, a história reserva, mesmo que sutilmente, outro quê de perversidade. Pode causar incômodo em alguns e curiosidade em outros. E, foi nessa bipolaridade que me perdi. Não sei dizer ao certo se gostei ou não do livro. No mínimo, devo dizer que é intrigante, apesar da história simples.

Um dos trunfos da publicação é a alternância de capítulos entre história e fantasia erótica. Llosa projeta o leitor em algumas passagens para dentro de pinturas. Por meio delas, o autor tenta contar as aventuras e fetiches selados na cama de Rigoberto e Lucrécia. A edição brasileira foi um pouco prejudicada neste quesito, já que foi impressa sem cores, exigindo um pouco mais da capacidade analítica e imaginativa do leitor em fantasiar os quadros ao lado de Llosa.

Fica claro na obra a destreza do escritor em conseguir escrever erotismo sem cair no vão da pornografia. Por mais crítico que você seja, e mesmo que já tenha lido livros melhores do autor, Elogio da Madrasta não merece ser jogado à desistência.

2 comentários:

Renata Prado disse...

O livro é excelente! Também o li na faculdade e adorei. O que mais me chamou a atenção não foi o erotismo do conto, mas o desfecho e a perversidade do menino. Muito bem escrito. Recomendo também "Menina má", do mesmo autor. Muito interessante! Adorei o blog, parabéns.

Gabriela Sant' Anna disse...

Obrigada pela visita, Renata. Realmente, Fonchito é tão ardiloso que "assusta".

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