quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Garota da Capa Vermelha - Crítica



Acredito que a maior parte das pessoas - as mais curiosas, pelo menos - já tenha lido as versões sinistras dos contos de fadas. Falando sobre a história de Chapeuzinho Vermelho, fiz uma rápida pesquisa no Google e a versão “original” que encontrei falava sobre uma garotinha que saiu para levar leite e pão para a avó, quando foi abordada por um lobo. Nessa versão "do mal", o lobo pega um atalho para a casa da avó e a mata. Seu corpo é cortado em pedaços e servido numa tigela, enquanto seu sangue é derramado numa jarra. Mais tarde, o banquete será oferecido à menina, que em seguida será molestada e morta pelo lobo.

Obviamente, o filme A Garota da Capa Vermelha foge da versão popular adocicada dos Irmãos Grimm (que, na realidade, servia para entreter e aconselhar garotas ingênuas), mas também não chega ao ponto de abordar um caso de pedofilia.

Sinto um desconforto físico por ser obrigada a concordar com o termo versão “crepusculada” de Chapeuzinho Vermelho, mas é fato. Embora com menos intensidade, há o mesmo triângulo amoroso, o mesmo sacrifício da mocinha pelo monstro amado e as entrelinhas sobre castidade vistos antes na saga de extremo sucesso entre as adolescentes dessa geração; mas não dá pra falar o mesmo sobre as atuações.
Comparar Krinsten Stwart com Amanda Seyfried é de uma ignorância sem tamanho. A atuação de Kristen nas histórias de Stephenie Meyer é sofrível e causa cansaço em quem está assistindo (isso sem comentar a atuação dela em The Runaways, foi como se a Bela tivesse trocado seu estilo sonsa por um mais punk rock, e só). Depois de uma atuação hilária no fraco Meninas Malvadas, Amanda Seyfried surpreendeu interpretando personagens carismáticas em Meu Querido John, Mamma Mia e em Cartas Para Julieta. Se a intenção da diretora Catherine Hardwicke era passar uma Chapeuzinho aterrorizante, creio que ficamos apenas com a doce menininha aterrorizada.

A história, que se passa numa vila, onde seus poucos habitantes fazem frequentes sacrifícios para manter afastado o lobisomem, traz uma sensação de que algo extraordinário vai acontecer a qualquer momento. Num cenário e enredo parecido com A Vila (filme de M. Night Shyamalan), o que prende a atenção é o whodunit. O termo remete à tentativa de descobrir quem matou quem (no caso, quem é o lobisomem), fazendo o telespectador criar vários suspeitos e se surpreender (ou não) no final.

Contando com fotografia e ambientação perfeitas, uma história razoavelmente boa e com a presença de Gary Oldman, A Garota da Capa vermelha tinha grandes chances de ser um filme extraordinário. Mas a falta de continuidade na história (como a típica frase de Chapeuzinho “que olhos grandes você tem”, que ficou absolutamente perdida e não fez o menor sentido) deixa qualquer um pensando “Okay, já pode vir a parte sensacional?”, e perde todo o encanto.
Algumas curiosidades:
- Catherine Hardwicke dirigiu Aos Treze, em 2003, e ganhou o Sundance Film Festival de melhor drama.

- A Garota da Capa Vermelha é o quarto filme em que o ator Leonardo DiCaprio participa da produção.

- O ator Gary Oldman participou de: Harry Potter em O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix; O Livro de Eli; Batman – O Cavaleiro das Trevas; Batman Begins; Hannibal; O Quinto Elemento; e muitos outros.

Trailer:




Ficha técnica:
Título original:Red Riding Hood
Gênero:Suspense
Duração:1 hr 40 min
Ano de lançamento: 2011
Site oficial: http://www.agarotadacapavermelha.com.br
Estúdio: Warner Bros. Pictures | Appian Way | Random Films
Distribuidora: Warner Bros. Pictures (EUA) | Warner Bros. (Brasil)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Johnson
Produção: Leonardo DiCaprio, Alex Mace, Julie Yorn e Jennifer Davisson Killoran
Música: Brian Reitzell
Fotografia: Mandy Walker
Direção de arte: Don Macaulay
Figurino: Cindy Evans
Edição: Nancy Richardson e Julia Wong
Efeitos especiais:

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