segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Paixão pelo fado


O ano havia começado há poucos dias e aquela seria minha última noite em Portugal depois de exatamente um mês e, num restaurante tipicamente português chamado Vossemecê, no centro de Lisboa, tocava um “fado bandido”. Envolvida com os versos cantados por uma voz marcante e suave que contava a história do fado cansado de ser fado e prestes a ser extinto, mas que ao lado da pessoa amada poderia voltar a ser o que era; a voz baixa do meu tio me desviou a atenção:
- Isso é Lisboa, Bela. É “Lisótima”.
Quadro "Fado Azul" de Márcio Mello

O fado é música típica portuguesa onde o fadista canta acompanhado pela guitarra clássica e pela guitarra portuguesa. Não se sabe ao certo sua origem, mas uma das teorias é que a lástima e a melancolia características tenham sido herdadas dos cantos dos Mouros que, após a reconquista Cristã, se alojaram em Lisboa.

Nas zonas mais antigas das cidades de Lisboa e do Porto ainda existem casas típicas com apresentações diárias. Durante a apresentação, todas as luzes se apagam e as pessoas se calam e escutam atentamente. É muito comum, durante os shows, encontrar alguém com lágrimas nos olhos.
As canções abordam temas melancólicos, como amores que não deram certo, tragédias, dificuldades da vida e, sempre, a saudade. Originada do latim “fadum”, a palavra significa destino e é nisso que essas canções se baseiam, além de todos os outros temas, falando sobre sua força implacável.

É fácil se apaixonar por Lisboa quando se passa uma tarde ensolarada e de vento frio, caminhando por suas praças verdes e atravessando a Avenida Liberdade, mas só se é capaz de perceber o tamanho dessa paixão após ouvir um fado.





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